Radio Bubble: Como as ondas de rádio podem desempenhar um papel fundamental na preservação da humanidade.

Em 1894, pelas mãos do físico Guglielmo Marconi, as ondas eletromagnéticas foram primeiro exploradas como um veículo de informação, invenção que lhe valeria o prémio Nobel da Física partilhado com o alemão Karl Braun, em 1909. Desde então, a Rádio tomou um papel determinante na história da comunicação, tornando-se o meio de comunicação com a audiência mais ampla e diversificada conduzindo informação, entretenimento e educação de forma gratuita a milhões de pessoas todos os dias, desde as grandes metrópoles aos lugares mais remotos do nosso planeta.

No dia 13 de Fevereiro de 2018, a UNESCO registou a quinta edição do Dia Mundial da Rádio. Esta iniciativa, dedicada a todos os radialistas e entusiastas responsáveis por manter no ar estações de rádio espalhadas pelo globo, pretende destacar a importância da Rádio na preservação e difusão da cultura e identidade de cada povo, para além de unificar nações e garantir a segurança de cada população. Apesar da tendência tecnológica atual, com toda a sua virtualidade, nos levar a imaginar um panorama de comunicação cada vez mais digital, estudos realizados em 2017 sobre o consumo dos media nos Estados Unidos e no Reino Unido demonstram a resiliência da Rádio que se revelou o meio mais querido dos utilizadores, com uma taxa de utilização que cobre cerca de 90% da população de ambos os países.

E se a partir de hoje ficássemos a saber que, para além da sua importância como um meio de comunicação de massas, a Rádio poderá também salvar a humanidade de um colapso económico ou até mesmo de uma ocorrência com proporções apocalípticas?

É verdade. Segundo um estudo da agência espacial norte-americana, revelado em Agosto de 2017, a concentração de um determinado conjunto de frequências de ondas de rádio produzidas pelo ser humano pode estar a interferir com um conjunto de partículas exoplanetárias criando uma espécie de segundo campo magnético terrestre, protegendo a humanidade das tempestades de ultra radiação espacial. Estas, provenientes de impetuosas explosões siderais ou de outros acidentes do cosmos de grande valor energético, representam um grande perigo para a sustentabilidade da vida na Terra, quer pela possibilidade de inviabilização de satélites e sistemas eletrónicos ou, num plano definitivamente mais pessimista, erradicar completamente a vida tal como a conhecemos.

Por fim, de modo a compreender melhor como as ondas de rádio conseguem escapar do nosso planeta e interferir com a imensidão de vazio que nos rodeia, vamos conhecer um pouco mais sobre a sua formação e como estas se transmitem ao longo do tempo e do espaço.

Uma onda de rádio é uma onda eletromagnética, ou seja, resulta da interação entre um campo magnético e um campo elétrico, tal como a ideia de que todos nós temos sobre um raio de luz. Na verdade, as ondas de rádio estão localizadas logo abaixo da luz visível, dos infravermelhos e das microondas no espectro eletromagnético, pelo que podemos considerá-las como longos raios de luz com frequências muito pequenas.

Assim que uma estação de rádio inicia a sua emissão, um sinal é conduzido até a um transmissor e, a partir deste, são produzidas e enviadas as ondas através do ar, de forma radial e esférica, em direção ao oceano mais profundo e à nuvem mais distante. A velocidade de transmissão eletromagnética ou velocidade da luz é de quase 300 milhões de metros por segundo, sendo o seu alcance espacial dependente da quantidade de energia incutida no sinal numa primeira instância e a sua dispersão medida de acordo com o inverso do quadrado da distância, conforme acontece com o som mecânico na Terra.

Para os mais entusiastas, recomendo vivamente a consulta da plataforma Lightyear.fm. Concebida por um grupo diverso de programadores, esta aplicação convida os internautas a uma viagem interestelar virtual que nos permite ouvir até quão longe os maiores hits da radiodifusão poderiam ter viajado se a sua energia se perpetuasse no espaço. Esta fantástica relação entre espaço, tempo e radiodifusão garante uma experiência que tem tanto de fascinante como de nostálgico, relembrando-nos do quanto os nossos problemas, ambições e conflitos parecem tão insignificantes perante a vasta dimensão do universo.

Sintonizem-se!
Carlos Correia, Equipa do Lisbon Sound Map

Fontes:

https://www.nasa.gov/feature/goddard/2017/nasas-van-allen-probes-spot-man-made-barrier-shrouding-earth

https://alifespentwondering.com/p/100/earths-radio-bubble/

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